Bahia

14 dicas para curtir uma viagem para Morro de São Paulo (BA)

Uma barraca histórica de drinks, uma pizzaria rústica, além de praias incríveis e acomodações - mergulhe no roteiro de uma das ilhas mais incríveis do Brasil

Morro de São Paulo era apenas um vilarejo com um punhado de casas quando começou a atrair viajantes do mundo todo. Acampar na praia ou alugar um quarto na casa de um dos moradores nativos eram as únicas opções de hospedagem para os desbravadores daquele paraíso. Hoje, mais de 30 anos depois, Morro tem desde hotéis mais luxuosos em praias incríveis até pousadas mais acessíveis e de bom custo-benefício. Só uma coisa não mudou: Morro continua imperdível.

Por isso, preparamos conjunto de dicas de atrações e hotéis para você aproveitar ao máximo a sua viagem para Morro de São Paulo. A ilha é dividida em em um centro bem movimentado, onde estão concentradas algumas pousadas, restaurantes, pizzarias, barracas de drinks, pequenas lojas, tendas de artesanato, além de uma extensa faixa de areia que se divide em cinco praias com diversas opções de hospedagem. Quer entender melhor? Confira a seguir.

Aluguel por temporada ou hotel? Seja qual for a sua preferência, no trivago você pode comparar preços para todos os tipos de acomodações e encontrar a melhor opção para você. 

Maria Isis

Maria Isis é jornalista e baiana. Roda o mundo com o marido e a filha de 8 anos: América Latina, Europa e Sudeste Asiático. O próximo destino dos três é a África! Quanto mais viaja, mais volta apaixonada por Salvador. Lugar onde nasceu, cresceu e que, para ela, é único no mundo.

1. Tome drinks frescos direto da fruta

A parada na barraca de drinks do Joe é quase obrigatória. Há 34 anos na praça principal da vila, Joe colhia as frutas que iam para os copos direto das mangueiras e cajueiros que existiam na rua da Fonte Grande. Hoje, vivendo em outra Morro, a variedade de sabores é maior, mas tudo chega obrigatoriamente de barco de Valença. A dedicação do dono começa na seleção das frutas e na dosagem exata de álcool, açúcar e polpa. A roska de cacau é servida na própria fruta e leva o próprio néctar, dulcíssimo. Imperdível para abrir o apetite para as deliciosas comidas de Morro.

2. Prove uma pizza com a cara de Morro

A ilha cresceu, assim como a variedade de restaurantes e culinárias locais, que permitem não repetir um prato sequer mesmo em uma longa temporada. Mas com tanta opção, uma simples, porém certeira está bem no centro da vila: a Pizzaria de Mercedes. No início, eram cinco mesas e 20 banquinhos – hoje, a pizzaria funciona no primeiro andar de um sobrado, na esquina da praça principal. É ampla, tem iluminação aconchegante e diversos sabores de pizza, dos clássicos aos mais caprichados, como a Boscaiola, feita com mix de funghi fresco, presunto e orégano, a Alice, que leva anchovas, e a Melanzana, berinjela e azeitonas. A mozzarela é bem servida em todas as versões.

Do Carnaval à residência: a história da dona

A capixaba Mercedes Mirabelli é uma daquelas desbravadoras citadas lá na primeira frase desse guia. Na ilha há mais de 30 anos, chegou com a prima para o Carnaval de Porto Seguro e ficou em Morro alguns dias. “Viemos pelas estradas de carona desde o Espírito Santo. Minha prima nunca mais voltou pra cá. E eu nunca mais saí daqui”, conta.

3. Aprecie o vai e vem dos barcos em um hotel boutique

Algumas pousadas permitem estar ao mesmo tempo no centro da vila, mas são reservadas o suficiente para um descanso reenergizante. O Portaló Boutique Hotel está à direita do portal de entrada de Morro, como uma espécie de cartão de boas-vindas para quem chega à ilha. A acomodação fica em meio à vegetação e debruçada sobre o cais, com vista privilegiada da movimentação dos barcos.

Chalés e apartamentos confortáveis que sobem em direção à mata, uma piscina voltada para o mar e o mirante que permite ver o pôr do sol são pontos fortes dessa hospedagem. O restaurante do hotel também é um dos mais elogiados da ilha.

4. Encare uma tirolesa para chegar à Primeira Praia

Nada de ir caminhando e sujar os pezinhos de areia para chegar à Primeira Praia. Chegue pelos ares, a bordo de um atrativo indispensável em Morro de São Paulo: a tirolesa. Com 70 metros de altura e 300 de extensão, ela é acessada pela trilha que leva ao farol, nas ruínas do Forte do Zimbeiro, que faz parte da Fortaleza do Morro de São Paulo. A tirolesa está na encosta leste do morro e tem uma vista incrível das praias. A queda é eletrizante, tem um visual muito bonito e dá direto no mar da Primeira Praia. O salto é seguro e custa R$ 60**.

E quando chegar na Primeira Praia...

Apesar de ter a menor faixa de areia de Morro, a Primeira Praia tem um banho gostoso, que tira o calor e desacelera a descida radical. Sem tantos atrativos quanto as outras, vale a pena hospedar-se por ali pela proximidade com a vila e por estar a meio caminho das demais praias.

Apesar de ser bem curtinha, ela guarda um tesouro histórico. Ali, duas embarcações brasileiras foram abatidas por um submarino alemão. Os navios civis naufragados, Arará e Itagiba, explicam a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

5. Deguste frutos do mar no centro da ilha

Para comer bem perto da Primeira Praia, o restaurante Casa da Vila fica na rua estreita que liga o centro da vila à faixa de areia. A localização é privilegiada, dessas que te faz parar para olhar o burburinho dos passantes, e a comida boa e barata, escolhida a dedo por Dido Vieira, um pedagogo que foi para passear em Morro e ficou.

6. Descubra uma praia que nunca dorme

Há uma Morro de São Paulo que só aparece à noite, quando boa parte dos turistas já voltou para as pousadas queimados de sol e cansados dos passeios de volta à ilha. Porém, há uma turma incansável, que quer estar perto de tudo que tem movimento, seja nas barracas de praia com música ao vivo, ou nas boates com batida eletrônica. Para essa galera, a faixa de areia da Segunda Praia não para.

Durante o dia, os mais esportistas se dividem nas quadras de vôlei e futvôlei, frescobol ou na travessia entre as praias com stand-up paddle. Espreguiçadeiras espalhadas na areia esticam o descanso para quem saiu da cama mais cedo. Na Segunda Praia, são ótimas as opções para almoço ou petiscos, tudo com trilha sonora ao vivo – o Buda Beach Bar (da foto) é uma das pedidas para bons coquetéis e comidinhas. À noite, quando o sol já foi embora, lâmpadas de LED, velas e luzes artificiais emanam das barracas para a areia. Essa é a Morro dos baladeiros.

7. Relaxe em uma pousada no meio do agito

Mesmo para quem quer ficar perto da muvuca, é preciso escolher bem onde ficar hospedado para que a agitação da praia não vá parar dentro do quarto. A agitada Segunda Praia tem algumas boas opções: a Via das Pedras, que até 2019 chamava-se Villa das Pedras, tem quartos que te transportam para outro lugar. Apesar de estar bem perto das barracas, a pousada tem os jardins e o mar como anteparos para uma atmosfera aconchegante e tranquila.

Os quartos são bem decorados e variam desde o padrão standard, com acomodações para até quatro pessoas, e as categorias superiores, com vistas para o jardim ou para a praia, além de camas macias e varandas com rede. A pousada conta também com piscina e um spa, que oferece diversos tipos de massagem e banheira de hidromassagem.

8. Conheça o Alemão, um dos personagens de Morro

Trinta anos, oito meses, doze dias e contando… imagina calcular diariamente o tempo em que você vive em um lugar. Dário Plantikow, de 58 anos, repete religiosamente, a cada dia, sua estada em Morro de São Paulo. Capixaba descendentes de alemães, ele tem uma teoria:

Ninguém conhece Dário em Morro. Mas quase todo mundo sabe quem é o Alemão. O apelido dá vida ao personagem, o melhor relações públicas que a ilha poderia ter. Guia turístico por muitos anos, ele tem um vasto repertório com seu “trompete de mão”. Com as mãos em formato de concha, ele emula um instrumento de sopro e tira várias canções, de Gonzaguinha a Bob Marley. O talento já o levou para o palco do Domingão do Faustão, no quadro Se Vira nos 30.

Um passeio imperdível com o Alemão

Hoje trabalhando na Secretaria de Turismo da Prefeitura de Cairu, o Alemão idealiza, além de organizar, passeios que saem todos os dias da Terceira Praia – uma praia com quase nenhum banhista e muitos barcos! Dali, dá para conhecer as principais praias da Ilha de Tinharé, onde fica Morro de São Paulo, em um passeio de barco chamado de “volta à ilha”.

O passeio custa R$ 200**. Quem quer exclusividade, contrata o roteiro que inclui as piscinas naturais de Bainema, onde há pouca gente e muitos peixes. Bainema é a “menina dos olhos” de Alemão. A exclusividade, ele explica, é um desejo de preservação.

9. Durma em uma fazenda reservada

Um óasis no movimento intenso dos barcos que chegam e partem para os passeios, a Fazenda Caeira é um hotel no meio de uma extensa reserva ambiental bem protegida. Cercado de área verde, coqueiros e árvores nativas, o hotel fica em uma área pouco habitada, quase uma ilha em meio ao crescimento de construções em Morro. O ambiente é calmo, simples e familiar e a acomodação costuma ser bastante procurada por casais de meia idade.

Os quartos são acolhedores e o café da manhã é simples, porém delicioso. A fazenda tem uma deliciosa piscina em frente à praia que, além dos hóspedes, permite o day use por R$ 70**.

10. Mergulhe com os simpáticos Sargentinhos

A Quarta Praia é a mais extensa de Morro. Vale para uma caminhada matinal, para um passeio de cavalo ou bicicleta. Uma vez com crianças, é preciso colocar na programação uma esticada até lá para entrar nas piscinas rasinhas e alimentar os peixes, uma legião de Abudefduf saxatilis.

O nome científico da espéce é estranho, mas o apelido lhe cai bem: Sargentinho, por conta das cinco listras no corpo, mesmo número de estrelas da patente dos sargentos do Exército Brasileiro. Acostumados aos turistas, eles correm para comer a ração, que é vendida ali mesmo por um vendedor que controla o acesso e cuida dos corais.

11. Tenha um resort para chamar de seu em Morro

Espaçoso e acolhedor, o Patachocas Beach Resort oferece uma grande estrutura de conforto e lazer como poucos hotéis conseguem na ilha. A piscina ao ar livre, a área com parque infantil e recreativo, além do salão de jogos e playground lembram o hóspede que ali é também um destino de diversão.

O hotel oferece conforto também nos quartos, com camas macias, itens de comodidade, como televisão, frigobar, ar-condicionado, banheiros bem equipados e imbatíveis varandas com rede. Uma estadia para descansar da vida no continente. A cinco quilômetros da vila, o hotel disponibiliza traslado gratuito para quem fizer questão de sair do conforto do resort. Morro que nos desculpe, mas nem precisa.

12. Tome banho de argila na Praia da Gamboa

Tem um dia livre? A praia da Gamboa fica perto de Morro de São Paulo, mas o ritmo é completamente diferente. Mais calma e relaxada, a praia de água morna fica a uma curta caminhada pela mata ou a 5 minutos de barco (R$ 5**), e é famosa por um paredão de argila que se vê de longe.

Os viajantes do tipo topam-tudo costumam seguir à risca um rito local: um banho de argila dos pés à cabeça – pra se lambuzar por inteiro mesmo – seguido de um banho de mar, revigoram qualquer espírito.

13. Experimente o arroz na lambreta do Restaurante Nativa's

Também na Praia da Gamboa fica uma das melhores experiências gastronômicas da ilha inteira: o arroz na lambreta, no Restaurante Nativa’s. A cada vez que dá a volta ao mundo – e já foram pelo menos cinco voltas inteiras – o velejador ucraniano, radicado na Bahia, Aleixo Belov, ancora primeiro na Gamboa para provar uma das delícias preparadas na cozinha de Sabrina Crispim.

Não há motivo para surpresa. O restaurante é charmoso e acolhedor como a anfitriã. O arroz de lambreta é uma dessas misturas deliciosas cheias de sabor e criatividade. Bem temperado, o arroz é colocado dentro das lambretas após o cozimento e recolocados na panela. O cheiro e o sabor são maravilhosos, desses difíceis de esquecer.

14. Reme de canoa polinésia até uma praia exclusiva

Se você quer uma praia completamente exclusiva, Morro de São Paulo tem. A Praia da Coroa dura algumas horas na maré baixa e dá pra visitar de lancha ou com um passeio de canoa polinésia. Gizely Lordes e o marido, Ricardo Mercadante, estão no início da operação do passeio, que tem uma companhia muito especial.

O casal fundou há seis meses o Clube Keila Wa para crianças e adolescentes da comunidade de Morro de São Paulo e Gamboa. O projeto tem 50 participantes, de 8 a 18 anos, que recebem aulas de remo gratuitas duas vezes na semana e precisam comprovar assiduidade e boas notas na escola.

A Praia da Coroa: ótima para fotos de Instagram

Ryan Cordeiro, 13 anos, Kiara Barros, 12, e Emanuelle Vitória, 12, nos ajudam a remar até a Praia da Coroa, a mais instagramável de Morro de São Paulo. O local é um banco de areia que se forma no meio do mar, em frente ao paredão de argila .

A Canoa Polinésia (também chamada de canoa havaiana) oferece um desafio desde a entrada. Primeiro é preciso saltar o segundo casco, que serve de estabilizador, e entrar de costas. Esse tipo de canoa existe há três mil anos e era feito desde a história antiga da Polinésia, conjunto de ilhas no Pacífico.

A remada também tem técnica, mas no passeio já é possível desenvolvê-la um pouco. Ao chegar, a areia é branca, fina e o mar ao redor é quente. Se você quer beleza, são os metros mais instagramáveis e menos óbvios de Morro de São Paulo. Tem estrelas e bolachas do mar, além conchinhas bonitas. Vale a corrida, o banho de mar e muitas fotos.

*Este artigo teve participação do jornalista Wladmir Pinheiro, do Correio 24 Horas.

**Os valores mencionados neste artigo são de 2020.

***Os autores viajaram com o apoio da Secretaria de Turismo de Cairu e da Cassi Turismo.