Europa

O que fazer em Lisboa: moradora brasileira revela os seus passeios favoritos

Do histórico ao moderninho, a jornalista Giuliana Miranda tem a dica certeira para você ter uma experiência única na capital lusitana

Combinação de séculos de história e com um ritmo sempre intenso de novidades, Lisboa vem se afirmando como uma das capitais mais carismáticas da Europa – não por acaso, tornou-se queridinha dos amantes de viagem. Em 2018, levou o título de melhor destino urbano do mundo no “World Travel Awards”, considerado o “Oscar do turismo mundial”.

Sabendo do potencial da cidade, convidamos a jornalista Giuliana Miranda, do blog Ora Pois da Folha Online e que mora na cidade desde 2014, para nos revelar dicas sobre o que fazer em Lisboa – são oito sugestões que reúnem clássicos portugueses, muitas novidades charmosas e algumas atrações que normalmente só são procuradas por quem vive por lá.

Ah, e no final do texto, ela sugere dois hotéis incríveis na cidade. Um, inclusive, tem um Bar de Nutella – imperdível!

Os valores apresentados neste artigo datam de 2018.

A guia local

Giuliana Miranda é carioca, jornalista e não dispensa uma aventura. Em Portugal desde 2014, escreve sobre a vida lusitana para a Folha de S.Paulo e outras publicações. Tem como esporte favorito subir e descer as sete colinas de Lisboa em busca dos cantinhos mais interessantes da cidade.
Site da parceira

1. Conheça Lisboa a bordo de um "eléctrico"

Um bom jeito de começar a sentir o clima da cidade é embarcar em um dos tradicionais eléctricos (ou bondinhos, como dizemos no Brasil) que atravessam o centro histórico de Lisboa.

À primeira vista, os vagões de madeira, pintados de amarelo-brilhante, parecem não ser páreo para as muitas ladeiras lisboetas. Basta embarcar nas composições centenárias para perceber a força – e também o charme – com que eles se deslocam pelos principais pontos da cidade.

Dicas gerais para usar os "eléctricos":

Evite filas

A linha mais famosa é a do eléctrico 28, que liga o bairro residencial de Campo de Ourique ao Martim Muniz, na baixa lisboeta. Para evitar as enormes filas neste percurso, escolha começar pelo sentido inverso da maioria dos turistas, iniciando o trajeto em frente à Basílica da Estrela.

Economize na passagem

O cartão “Viva Viagem”, usado nos bilhetes do metro e do trem urbano (“comboio”), também serve nos eléctricos – para usá-lo no, basta ter saldo suficiente no cartão. Além de mais prática, essa forma acaba sendo mais econômica, já que a viagem sai por menos da metade do preço. A passagem de eléctrico no cartão pré-pago fica a 1,35 euro. Já diretamente com motorista, custa 3 euros.

Basílica da Estrela

 

Quem opta por começar a jornada na Basílica da Estrela (foto acima) consegue aproveitar uma área da cidade mais calma e residencial, ainda não tão explorada pelos turistas. A começar pela ampla igreja do século 18. Embora os painéis de mármore sejam impressionantes, a principal atração é subir até a cúpula.

Não tenha medo: encare os 114 degraus e se prepare para desfrutar de uma vista privilegiada. O espaço está aberto de terça a domingo das 10h às 18h30, e o ingresso custa 4 euros.

 

Reserve também um tempo para caminhar pelo Jardim da Estrela, em frente à basílica, um dos espaços verdes mais queridos pelos moradores. Ao longo do ano, é comum haver atividades como concertos, feiras de artesanato e até cinema ao ar livre.

Casa de Fernando Pessoa

 

A Casa de Fernando Pessoa (3 euros) , um dos principais poetas lusitanos, também fica nas imediações. Além de divulgar a obra do artista, o local expõe objetos que pertenceram ao autor, como a escrivaninha em que ele escreveu (quase sempre de pé) muitos de seus poemas – se você curte literatura, dê uma olhada nestas bibliotecas dentro de hotéis.

Ao sair de lá, de volta ao burburinho do centro histórico, caminhe sem pressa pelas ruas do Chiado e da Baixa, que concentram alguns dos pontos mais célebres entre os turistas.

Uma curiosidade histórica

Ao contrário de outras capitais europeias, Lisboa não é repleta de casas medievais. Um terremoto de grandes proporções, seguido ainda por um tsunami, pôs abaixo mais de 80% da cidade em 1º de novembro de 1755. A cidade acabou sendo reconstruída de maneira bastante mais ordenada, incluindo avenidas largas e prédios com estruturas anti-sísmicas, pelo Marquês de Pombal. Ao caminhar pelo centro, note repare nas arcadas e abóbodas bastante características da arquitetura pombalina.

Show full description

2. Descubra um "miradouro" pra lá de local

Cheia de altos e baixos, Lisboa é famosa por seus mirantes. Ou melhor, “miradouros”, como eles são chamados no português lusitano. No centro da cidade, há vários deles, normalmente lotados. Uma alternativa charmosa e relativamente pouco conhecida é o Miradouro Panorâmico de Monsanto.

Instalado no parque de mesmo nome, uma floresta urbana que é considerada o pulmão da cidade, o miradouro de Monsanto oferece uma vista desafogada de 360º. O prédio foi construído em 1968, mas acabou abandonado por quase duas décadas, usado “clandestinamente” como ponto de observação.

Em 2017, a Câmara Municipal (equivalente da Prefeitura) de Lisboa fez obras de requalificação que adaptaram o espaço à sua vocação turística. Desde setembro daquele ano, Panorâmico de Monsanto funciona oficialmente como miradouro.

O bom e o ruim deste mirante

Point da cultura local

O ambiente foi proporcionalmente mantido com um certo quê de decadência urbana, e artistas plásticos foram convidados para adornar as paredes.

Poucas opções gastronômicas

Um ponto negativo é a falta de infraestrutura. Bateu vontade de tomar um vinho aproveitando a vista? Não há opções nas redondezas.

Alternativas mais conhecidas

Miradouro da Graça. Foto: Filipe Rocha (CC BY-SA 3.0).

Miradouro de São Pedro de Alcântara. Foto: Singa Hitam.

Para petiscar em grande estilo, contemplando as colinas lisboetas, opte pelos miradouros da Graça ou de São Pedro de Alcântara, que têm quiosques e barraquinhas com opções variadas e, muitas vezes, música ao vivo para animar o fim do dia.

Quando curtir os mirantes de Lisboa?

Sol o ano inteiro

Lisboa é das capitais europeias mais ensolaradas, mesmo no inverno. Dados oficiais indicam até 290 dias de sol por ano. O céu azul brilhante é uma das marcas registradas da cidade.

Já que você curte vistas panorâmicas, leia também:

Europa

9 hotéis com as melhores vistas de monumentos d...

Show full description

3. Desvende todo o charme de Belém

Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, Centro Cultural, Mosteiro dos Jerónimos, Museu da Marinha, pastéis de Belém… A lista de atrações do bairro é tão longa quanto variada.

Embora estejam concentradas no bairro, as atrações são relativamente espalhadas. Ou seja: gasta-se tempo e disposição para andar entre elas. Não adianta conhecer Belém com pressa.

Um roteiro mastigadinho:

  • Comece pelo Padrão dos Descobrimentos – erguido na década de 1960 em homenagem às grandes navegações lusitanas;
  • Depois, caminhe calmamente até a Torre de Belém;
  • Em seguida, cruze a passarela e aproveite para conhecer o outro lado, com o Museu Berald;
  • Finalmente, chegue ao Mosteiro dos Jerónimos.

O mosteiro

 

Gigante em estilo manuelino, o mosteiro (foto acima) ocupa mais do que um quarteirão e impressiona pela imponência de sua fachada ricamente ornamentada. É possível conhecer gratuitamente um pedaço da igreja, onde estão expostos os túmulos do explorador Vasco da Gama e do escritor Luís de Camões.

Pastéis de Belém

Os deliciosos pastéis de Belém.

Uma visita a Belém não está completa sem um experimentar os famosos pastéis. Ignore a fila (quilométrica) de turistas aglomerados em frente à porta da tradicional Pastéis de Belém e siga para o interior da loja.

Muita gente não sabe, mas aquela fila é para comprar pastéis “para viagem”. Quem vai comer no próprio restaurante é direcionado para uma outra fila no fundo do estabelecimento que, além de bem menor, costuma andar significativamente mais rápido.

Produção de pastéis de Belém.

Enquanto espera, aproveite para espreitar o processo de produção dos quitutes pelas vitrines de vidro. São mais de 3 mil pastéis todos os dias.

Não deixe, porém, que a fama dos pastéis de Belém impeça você de conhecer outros pastéis de nata da cidade. Embora a receita belenense seja a original, há diversas confeitarias pela cidade com sua própria versão da iguaria.

Show full description

4. Curta um point cultural moderninho

Um dos meus cantinhos favoritos da cidade é a Lx Factory, um polo criativo em Alcântara, bem embaixo da icônica ponte 25 de Abril, que ocupou os armazéns de uma fábrica de 1850.

Em 2008, o espaço renasceu como point descolado. O local reúne um pouco de tudo: restaurantes, cafés, escritórios, ateliês e muitas lojinhas charmosas de marcas portuguesas.

O que fazer por lá?

Livraria diferente

Quando estiver por lá, não deixe de conferir a “Ler Devagar”, livraria que virou figurinha fácil nas listas das mais bonitas do mundo graças a seu pé direito alto e à escultura de uma bicicleta que pende diretamente do teto. A decoração aproveitou a pegada industrial para construir um espaço moderno e, ao mesmo tempo, aconchegante para os leitores.

Opções para o happy hour

Uma das happy hours mais animadas de Lisboa acontece ali do lado, no gastrobar “Rio Maravilha”, instalado no antigo refeitório da fábrica. A carta de coquetéis é caprichada, mas vale experimentar um dos carros chefes da casa: a margarida de framboesas e petazedas, que agrada aos paladares mais exigentes.

Para acompanhar, saboreie uma porção de croquete de alheira apreciando a vista para o rio e tirando uma foto com a escultura de uma mulher de braços abertos que adorna o terraço.

Discoteca para os mais dispostos

Ainda com disposição? Acabe a noite em uma das discotecas da cidade. Além do Bosq, que fica no próprio Lx Factory, há várias opções nas imediações.

Show full description

5. Prove a nata da gastronomia portuguesa

De uma maneira geral, é preciso ter muito azar para comer mal em Lisboa. Mesmo estabelecimentos modestos costumam oferecer pratos bem servidos e saborosos.

Em Portugal, há um ditado que diz haver 1001 maneiras de se cozinhar o bacalhau. O restaurante A Laurentina parece estar bem próximo disso em seu cardápio.

O meu favorito é o mais clássico de todos: a posta alta assada, servida dourada, com muito azeite e acompanhada de batatas a murro. Não tem erro.

 

Felizmente, a gastonomia portuguesa vai muito além do bacalhau e soube incorporar muito bem a influência de seu vasto império colonial. Na região do Cais do Sodré, o restaurante Ibo apresenta uma fusão moderna das cozinhas portuguesa e moçambicana.

Peça o camarão tigre grelhado com piripiri (pimenta): uma explosão de sabores na medida certa.

Show full description

6. Leve a família para o incrível Oceanário

O roteiro de museus e monumentos históricos de Lisboa pode ser cansativo, sobretudo para as crianças. O Oceanário (12 euros) é uma ótima maneira de encantar os pequenos.

Escolhido em 2018 como o melhor aquário do mundo em votação do público no ‘Trip Advisor”, o espaço principal tem mais de 5 milhões de litros de água salgada. O Oceanário simula a existência de um só oceano, contínuo, e apresenta diferentes níveis das águas do planeta.

Além da inegável beleza das espécies, que incluem desde tubarões e tartarugas até plantas subaquáticas, o espaço também serve como centro de divulgação de ciência e de estudo dos mares.

Explore também...

Parque das Nações, em Lisboa. Foto: Vitor Oliveira (CC BY-SA 2.0).

Aproveite que está pelas imediações para conhecer o bairro mais moderno de Lisboa, o Parque das Nações: uma antiga área degradada que foi recuperada por conta da Expo 98.

Entre os destaques dessa moderna região está o Centro Comercial Vasco da Gama, o teleférico panorâmico e ainda um calçadão à beira do Tejo, com vista privilegiado para a ponte Vasco da Gama.

Show full description

7. Descubra a dança típica do Fado

Patrimônio imaterial da humanidade desde 2011, o fado é o gênero musical mais típico de Lisboa. As letras de suas canções normalmente exaltam o amor e a saudade tendo como pano de fundo bairros históricos da cidade.

Para conhecer o fado genuíno, rume para as ruas estreitas de Alfama, o bairro mais antigo e boêmio da capital. Com o sucesso turístico de Lisboa, os estabelecimentos que oferecem apresentações de fadistas se proliferaram. Muitos deles, porém, são versões “pasteurizadas”, feitas essencialmente para agradar os estrangeiros.

Point dos entendidos no mundo da música, a Associação do Fado Casto, na região da Sé, destaca-se pala qualidade e pela tradição de suas apresentações.

Durante a apresentação, aproveite para comer as saborosas pataniscas de bacalhau e o chouriço da casa.

Nada de tagarelar, hein?

E nada de conversar enquanto os músicos estão em ação: o silêncio absoluto é uma das regras fundamentais durante as apresentações de fado. Os tagarelas costumam levar bronca dos outros clientes. Acredite: você não quer passar essa vergonha.

Show full description

Onde ficar em Lisboa

Instalado em um palacete do século 18, o hotel boutique The Lumiares é um oásis de calma e conforto em meio ao sempre agitado Bairro Alto. E o melhor: está a uma curta caminhada de distância de muitos dos principais pontos de interesse do centro histórico, como o Elevador da Glória e as ruínas do Carmo.

 

Um ponto para lá de positivo do hotel: moderníssima, a academia (veja nas fotos acima) está aberta 24 horas. No térreo, o spa tem uma grande variedade de tratamentos, com destaque para o “Ritual Lumiares” (150 euros, valor de 2018), que garante duas horas de cuidados com massagens e óleos essenciais.

No fim do dia, rume para o badalado terraço (foto acima), que tem uma vista privilegiada sobre a cidade, e peça um porto sour. A versão do Pisco Sour feita com vinho do Porto equilibra, na medida certa, refrescância e doçura.

Outra opção: Hotel Myryad by Sana

 

A paisagem é a principal protagonista do Myriad by Sana, que fica no Parque das Nações, a região mais moderna de Lisboa.

Todas as áreas do hotel –dos quartos à academia, incluindo o elevador – têm vista panorâmica para o rio Tejo e para a Ponte Vasco da Gama, uma das maiores da Europa, com 12,3 km de comprimento.

 

O edifício foi projeto entre duas estruturas metálicas parecidas com a forma de um barco (veja a foto abaixo), em uma ideia arquitetônica semelhante àquela do tradicional hotel Unique, em São Paulo. A ideia é fazer com que o prédio pareça navegar e flutuar sobre as águas.

Os móveis, em design arrojado e seguindo a cartela de vermelho e prateado, conferem um ar de sofisticação contemporânea.

Bar de Nutella e brunch

Não perca o brunch do Myriad, servido aos fins de semana, que é um dos mais famosos da cidade e que atrai lisboetas e turistas. Além das opções comuns desse tipo de refeição, como diversos opções de preparação de ovos e iogurtes, há ainda um buffet de ostras, um espaço dedicado à culinária oriental e um bar de Nutella especialmente pensado para as crianças.

A foto de capa é de Pragmart, no Unsplash.