Europa

Paris: como escolher seu hotel para não arruinar sua viagem

Onde não dormir, onde não sair, onde não comer: em mais um guia da nossa série "Como não arruinar sua viagem", as dicas certeiras para não cair em uma roubada na Cidade Luz

Em sua canção “Paris”, a cantora francesa Camille cita uma série de motivos que a levaram a ir embora da Cidade Luz: “Calçadas sujas, metrô lotado, céu cinza, baladas chatas…”. Mas, no final, depois de visitar diversas outras cidades, ela descobre que “em Toulouse também chove, que em Sevilha todo mundo bebe demais…” e acaba voltando a viver na capital francesa.

Paris desperta esse sentimento de amor e ódio tanto em turistas como em quem mora na cidade, e não se passou um único dia dos meus oito anos vivendo lá que eu também não tenha experimentado essa sensação agridoce.

Mas é mais dos momentos de ódio do que dos de amor que podemos tirar boas lições de como sobreviver nesta metrópole que, apesar de linda e poética, é por vezes bastante caótica, com suas próprias regras e linguagem. Daí este manual com 6 dicas simples de sobrevivência para quem está de malas prontas para ir à Cidade Luz.

1. Evite se hospedar fora da cidade “intramuros”

Se você vai amar ou odiar Paris, definitivamente vai depender da região em que você escolher se hospedar. Comece seguindo este critério duplo: não se hospede fora da região conhecida como “Paris intramuros” ou nas poucas áreas da cidade em que o metrô é escasso. O metrô de Paris foi criado de maneira que você nunca precise caminhar mais do que 2km até achar uma estação – e isso só acontece em algumas zonas dos distritos 19 e 20.

O mais importante é evitar ficar na parte de fora do miolo central da cidade demarcado pelo Boulevard Periferique, a grande avenida circular que no passado já foi mesmo um muro cercando Paris. É fácil de identificar no Google Maps.

 

Muita gente fica tentada a aproveitar que os preços fora de Paris são bem mais baixos, mas raramente compensa o tempo que você vai perder dentro de um trem para chegar até as principais atrações turísticas da cidade – praticamente todas elas ao redor do rio Sena, que corta Paris bem ao meio.

Onde se hospedar em Paris se seu orçamento é baixo

Se seu orçamento é realmente baixo, dá para achar um meio termo: os hotéis Formule 1 Porte de Montmartre ou Ibis Budget Porte de Montmartre, por exemplo, ficam no limite entre Paris e a “Banlieue”, como os franceses chamam a periferia. Uma região um tanto feia, mas que pode ficar bonita considerando os cerca de míseros 40 euros de diária.

Bem melhor que isso – e se você não se importa em dividir o quarto – é optar por um bom hostel. Animados, modernos e bem localizados, o Generator e o Saint Christopher ficam na região leste da cidade, a mais descolada e preferida dos jovens parisienses.

Onde se hospedar se dinheiro não for problema para você

Se esta é a sua primeira visita a Paris, não hesite e tente se hospedar em alguns dos bairros centrais que são a cara da cidade, como o Marais – pólo da moda em Paris – ou o histórico Quartier Latin, casa da Sorbonne e o Jardim de Luxemburgo. Os dois bairros ficam às margens do Sena, bem na altura das duas ilhas da cidade, a Ile de la Cité e a Ile Saint Louis.

Se o seu orçamento é realmente alto, parta para os arredores da Champs Elysées, Arco do Triunfo e Place Vandome, onde estão os melhores hotéis, como o The Peninsula.

Onde se hospedar em Paris se você já conhece a cidade

Se você já conhece Paris e está em busca de uma experiência diferente, vale se hospedar em Montmartre, a bela colina do norte de Paris e “casa” de Amélie Poulin. Um hotel em conta e cheio de estilo por lá é o Basss. Se quiser um hostel muito barato e muito bem localizado em Montmartre, reserve o Le Village. Outra opção diferente em Paris é se hospedar no distrito cool da cidade, o 20, que tem hotéis/balada bem descolados, como o Mama Shelter.

Onde não se hospedar em Paris

Cada canto da cidade tem o seu apelo, mas com frequência os turistas preferem não ficar em lugares convencionais demais, que, embora sejam autênticos, não reflitam a imagem histórica que se tem de Paris.

É o caso de algumas partes específicas dos distritos 10, 18 e 19, que podem ser bastante barulhentos durante o dia e um tanto perigosos na madrugada. Há também os distritos bonitos, porém bastante aborrecidos, por serem residenciais demais, sem muitas atrações, como o 14 e o 15.

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2. Não vá a Paris pela primeira vez no inverno

Se for a segunda vez que você vai a Paris, ok, pode ser no Natal, quando as luzes da cidade ficam muito bonitas. Mas se for a primeira vez, nem pense duas vezes: reserve seu voo entre maio e setembro. Paris é uma cidade feita para se caminhar, explorar suas pontes, suas ilhas, seus jardins, seus bares, cafés e cantos escondidos. No inverno, este lado fundamental da cidade é completamente perdido. A única ressalva no verão é o mês de agosto, quando faz bastante calor e muita coisa na cidade fecha, já que é o mês oficial de férias.

Sobre o Ano Novo em Paris: é roubada. Embora muitos turistas se iludam, o fato é que quase não há celebrações na Torre Eiffel na noite de réveillon, o frio é de lascar e não faltam incidentes, como carros queimados, assaltos e vitrines quebradas. Recentemente, a prefeitura começou a organizar uma festa no Arco do Triunfo, com um pouco mais de estrutura, mas continua não sendo a melhor ideia do mundo. A maioria dos parisienses prefere passar o réveillon na casa de amigos ou em alguma balada – se conseguir uma, porque a maioria é reservada com muita antecedência.

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3. Não fique tempo demais andando de metrô

O metrô é de fato a maneira mais rápida de se deslocar em Paris, e praticamente nenhum lugar da cidade está a uma distância maior que 20 minutos através de metrô. Isto dito, não exagere no subterrâneo. Uma das melhores maneiras de ver a cidade é pela janela de um ônibus, de um Uber ou pedalando. Quem fica entrando e saindo do metrô o tempo todo perde esses momentos mágicos de deslocamento. A regra é: como as estações ficam a menos de um quilômetro uma da outra, quase nunca vale a pena pegar o metrô para andar menos do que 3 estações.

Como se deslocar

Metrô, ônibus, carro e bicicleta

Turistas podem comprar o cartão de transporte válido por 5 dias por cerca de 40 euros, caso queiram circular apenas dentro de Paris. Pagando 65 euros, você pode se deslocar até a periferia, onde ficam algumas atrações turísticas, como o Palácio de Versalhes, e também ir até os aeroportos de Orly e Charles de Gaulle.
Para se deslocar de carro, há o Uber e alguns aplicativos de táxi locais, como o G7, em que você também paga no cartão.
As bicicletas públicas estão disponíveis em assinaturas de 24 horas ou uma semana. O melhor é se cadastrar pela internet antes de chegar em Paris pelo site velib-metropole.fr

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4. Não saia para a balada à meia-noite

Esta é uma roubada clássica que brasileiros costumam cair: sair para curtir a noite no horário brasileiro, o início da madrugada. E quase sempre acabam deparando com uma cidade quase morta. A imensa maioria dos bares de Paris começa a fechar à 1h30 e tudo está fechado às 2h, restando apenas as poucas baladas com autorização para entrar madrugada a dentro.

O que os próprios parisienses fazem é começar a noite às 19h. Você vai ver que o happy hour e a festa emendam um no outro, sem parar, do final da tarde até às 2h. As áreas mais legais para sair à noite são os arredores da Rua d’Oberkampf, Rua de Lappe (Bastilha), além do bairro do Marais e os arredores do metrô Grand Boulevards.

O mesmo vale para comida: na madrugada, há poucas opções a não ser kebab. Entre os poucos lugares para comer bem na madrugada estão o Le Tambour (41 Rue Montmartre) e o Au Pied Cochon (6 Rue Coquillière).

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5. Não faça refeições nos bairros mais turísticos

Infelizmente, os bairros mais turísticos de Paris se tornaram “armadilha para turista” no quesito alimentação. Até rola comer um crepe na rua, mas os restaurantes em geral prometem comida francesa autêntica e oferecem algo de baixa qualidade ou caro demais, principalmente em áreas como o Quartier Latin e a própria Champs Elysées.

É possível comer melhor em lugares frequentados pelos próprios parisienses sem ir muito longe, mas fora do “olho do furacão turístico”, como por exemplo a Rua du Faubourg-Saint-Denis, na foto acima, onde se encontra boa comida de diversos países do mundo. Dois endereços que oferecem autêntica comida francesa e com preços honestos é a rede Chez Gladines, com várias unidades na cidade, e o hipster Les Fabricants (61 Rue Jean-Pierre Timbaud). Um bom fondue pode ser encontrado em Montmartre, no Le Refuge des Fondus (17 Rue des Trois Frères).

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6. Não dê mole com seu celular

Em termos de segurança, a principal ameaça em Paris são os furtos de bolsa e celulares. Acontece bastante, principalmente no metrô e em restaurantes. Basta virar o olhar por um segundo, e algo desaparece. O negócio é manter o olho grudado em seus pertences o tempo todo.

Há também alguns golpes clássicos ao redor da Torre Eiffel, da Sacre Coeur ou nas margens do Sena: alguém vem pedir para você assinar uma petição para ajudar seja lá o que for, ou alguém vem lhe oferecer um anel que supostamente acabou de encontrar no chão. E vão sempre querer dinheiro em troca. É só não dar ouvidos e seguir o seu passeio.

Fora isso, na madrugada, depois que o metrô para de funcionar, a cidade pode ficar um pouco mais violenta, especialmente na metade Leste. Os ônibus “Noctilien”, que funcionam durante toda a madrugada, com frequência são palco de brigas de bêbados. Já alguns Boulevards, principalmente o Boulevard Pigalle, são frequentados por gangues de jovens que gostam de arranjar briga à toa. O melhor, na madrugada, é se deslocar de Uber ou táxi. Nas áreas turísticas mais próximas do Sena, não há problema algum.

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Fotos por Gabriel Brust